Pular para conteúdo

Da complexidade pós-aquisição a uma malha orientada por margem

Depois de um ciclo de aquisições ampliar sua malha industrial e logística, a Cimento Nacional precisava decidir com mais velocidade onde produzir, como atender cada mercado e quais alternativas criavam valor econômico.

O time de planejamento conectou demanda, otimização da cadeia de suprimentos e Cost-to-Serve na OpsFactor, substituindo análises fragmentadas em planilhas por um modelo reutilizável de cenários.

Fonte e escopo

Este case resume “Sinergia com precisão: otimização da cadeia pós-fusão na Cimento Nacional”, publicado na Mundo Logística, edição 107, julho/agosto de 2025, páginas 60–65. Os resultados abaixo são oportunidades identificadas em cenários e validadas pelo time financeiro da empresa, conforme a publicação. Não são apresentados como ganhos realizados e auditados.

O ponto de inflexão

A rede havia passado de duas para cinco fábricas, duas unidades de moagem e seis centros de distribuição. Custos de produção, portfólios, perfis regionais de demanda e áreas de atendimento parcialmente sobrepostas criavam quase 7 mil combinações entre origem e destino.

Nesse tamanho, a questão crítica deixou de ser se uma planilha conseguiria calcular um cenário. O desafio passou a ser representar as mesmas premissas de forma consistente, comparar muitas alternativas e entender seu impacto na margem de contribuição.

~7 milcombinações origem-destino
200+cenários avaliados
+4,9%impacto potencial na margem*

Três critérios para a solução

A publicação registra que a escolha da plataforma foi guiada por três capacidades que precisavam existir ao mesmo tempo:

01 Fidelidade de modelagem

Representar custos fixos e variáveis, capacidades, produtividades, armazenagem, expedição, lead times e demais restrições relevantes.

02 Velocidade de cenário

Processar centenas de milhares de combinações e sugerir alternativas otimizadas em minutos, com premissas atualizadas.

03 Autonomia do time

Permitir que os próprios planejadores parametrizassem, ajustassem e executassem novos cenários sem ciclos longos de consultoria.

Uma solução que entregasse apenas velocidade deixaria premissas importantes de fora. Uma solução detalhada, mas dependente de terceiros para cada rodada, não entraria no ritmo do planejamento. A combinação dos três critérios transformou o modelo em capacidade operacional, não apenas em estudo.

Um modelo construído em torno de três decisões

  1. Demand Planning criou uma linha de base estatística e uma forma estruturada de incorporar conhecimento comercial e cenários alternativos de mercado.
  2. Supply Chain Planning e Optimization alocou a demanda na malha respeitando capacidade, produtividade, lead time, logística e restrições operacionais.
  3. Cost-to-Serve levou a economia dos cenários ao nível cliente-produto, permitindo discutir footprint e atendimento pela margem de contribuição, não apenas pelo volume.

O modelo representava centenas de milhares de variáveis e, segundo a publicação, executava cenários estratégicos de malha em menos de dez minutos na nuvem.

Como as decisões se conectam

Pergunta de planejamento Modelo necessário Evidência usada na decisão
Onde a demanda pode crescer com valor? Linha de base de demanda, cenários comerciais, preço e premissas de mercado Demanda e preço líquido por mercado
Qual origem deve atender cada destino? Fluxos elegíveis, rotas de produção, capacidade, produtividade, lead time e custo logístico Volume, ocupação de capacidade e custo logístico
O cenário cria valor econômico? Custos produtivos, armazenagem, frete e condições comerciais propagados até cliente-produto Margem de contribuição por região e cenário

Essa sequência importa. A demanda cria o requisito, a malha determina o que pode ser produzido e movimentado, e o Cost-to-Serve torna a consequência financeira visível. Otimizar apenas uma das três partes pode deslocar custo ou restrição sem melhorar a decisão como um todo.

O que um cenário reutilizável precisa

A publicação descreve o processo de negócio; a documentação do produto mostra a estrutura de dados reutilizável que o sustenta:

Autonomia como parte do modelo operacional

O trabalho não foi tratado como um exercício pontual de consultoria. O próprio time configurou a rede, validou o cenário as-is, questionou premissas e aprendeu a criar e comparar novos cenários.

O roteiro seguiu cinco estágios:

  • coletar e validar dados e modelar a rede atual;
  • validar o cenário as-is;
  • estimar custos logísticos em novas rotas e identificar oportunidades de rede aberta;
  • avaliar e refinar cenários factíveis;
  • transferir o processo aos times de planejamento e negócio para os ciclos de S&OP e S&OE.

Mais de 200 simulações foram avaliadas com diferentes premissas de malha e custos.

Dos cenários às ações

O modelo expôs quatro famílias de ação:

  • ampliar a participação em mercados com capacidade disponível e Cost-to-Serve competitivo;
  • revisar o line-up de produtos por fábrica para melhorar produtividade e custo;
  • reavaliar o atendimento direto por fábricas ou via centros de distribuição;
  • redesenhar territórios em que o modelo vigente não produzia rentabilidade adequada.

A oportunidade econômica reportada

Indicador Oportunidade reportada no cenário
Preço líquido médio +3,9%
Custo de frete +7,7%
Custo variável de produção −2,9%
Margem de contribuição total +4,9%

O valor de frete é reproduzido com o mesmo sinal impresso pela publicação e não deve ser descrito como redução. A leitura útil é o efeito combinado: os cenários mudaram conjuntamente decisões comerciais, produtivas e logísticas e identificaram um impacto potencial de +4,9% na margem de contribuição.

O que outros times podem aprender

A lição transferível não é um percentual-alvo, mas uma arquitetura de decisão:

  • modele a rede atual antes de otimizá-la;
  • torne custos e restrições explícitos;
  • compare cenários por viabilidade operacional e valor econômico;
  • mantenha o modelo dentro do ciclo de planejamento para atualizar premissas quando o mercado mudar.

Para aplicar o padrão, continue em Supply Network Planning e Design e Cost-to-Serve e P&L. Para outro trade-off de planejamento, leia Política de estoques: quanto serviço vale mais um dia de cobertura?.

Oportunidade identificada em cenários e validada pelo time financeiro, conforme reportado pela Mundo Logística*. Não é promessa de resultado realizado.